
Quando tinha meus quatorze anos, fui ao supermercado com meus pais. Passando entre as fileiras, vi um homem bem trajado, parecia-me rico em conhecimento ou ao menos sua aparência era de um. Detive-me quieto durante o resto do dia. Minha mãe, preocupada, perguntou-me o que estava acontecendo. Perguntei se ela lembrava-se do homem do supermercado. Mamãe, com sua total inocência do passado, disse não. Pois é, cinco anos passaram-se e eu recordo-me perfeitamente daquele homem. Homem rico de conhecimento. Hoje, com dezenove anos, entendi o porque da minha quietude efêmera. Certas lembranças fazem-me duvidar de tudo. Quem foi que disse mesmo que as perguntas são mais essenciais que as respostas? Filosofia, grande Sofia, amiga do conhecimento, sabedoria - Ops! Quase perdi o foco. Afinal, era aquele homem inteligente ou as imagens do exterior fizeram-me acreditar até hoje que para ser igual a ele tenho que ser irreal? Quero deixar bem claro que não há nada de existencialismo aqui. Aliás, que o nada o tenha, Sartre. Sei lá.. Sei lá.
